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Ilustradores internacionais participam de bate-papo no Parque Pau Pombo

foto (3)Como se torna um ilustrador? É mais fácil ilustrar um livro de outros escritores de que seus próprios livros? O que é mais importante o texto ou a ilustração? Todos esses questionamentos e muitos outros foram feitos aos ilustradores Anna Laura Cantone (Itália) e Miguel Tanco(Espanha), na tarde do sábado(17), durante a “Conversa com o escritor” realizada debaixo das árvores do Parque Ruber Van der Linden.

A primeira conversa da tarde foi com a italiana Anna Laura Cantone, autora de 300 livros, alguns deles traduzidos para o Português. A ilustradora que desde os oito anos se deu conta que seguiria a vida profissional ilustrando, explicou para a garotada que uma história é resultado de muita dedicação. A autora contou que gosta de fazer imagens divertidas, porque adora rir. Além disso, explicou que gosta muito de criar personagens novos que não estavam na história original pensada pelo escritor. “O trabalho do ilustrador é muito bonito, porque pode inventar personagens que não estavam na história: baleias que voam, gatos falantes…O belo é você fazer coisas divertidas, que você possa gostar de fazer”, observou Cantone.

Nessa proposta de criar sempre personagens diferentes, Cantone conta que junta tudo que encontra em sua casa ou nos lugares por onde passa. Pode ser um papel de chocolate, a forminha de brigadeiro e até a embalagem do salame. O destino será transformar o material recolhido em roupas e acessórios de seus personagens. “Depois uma coisa mágica acontece: o livro é editado, traduzido e chega a crianças de todo o mundo”, enfatiza a ilustradora.

Mas quem hoje se espanta com as centenas de livros publicados por essa autora, que ainda nem completou 40 anos, mal sabe que ela recebeu muito “não” no início. “Os editores não gostavam do que eu fazia. Achavam feio. Diziam até que eu não devia seguir. Mas continuava mostrando até que um dia uma editora de Taiwan editou meu primeiro livro. Tive consciência que não devia ter medo, porque era o início de minha carreira”.

Com sua experiência, Cantone fez questão de incentivar as crianças para que não tivessem medo de desenhar. “Vocês devem sempre se divertir sem ter medo de fazer algo que não dê certo”, afirmou a escritora que terminou sua conversa ressaltando como aquelas crianças tinham sorte de ter nascido no Brasil, um país com grande riqueza cultural e natural.

 foto (2)Miguel Tanco- Depois do bate-papo com a ilustradora Anna Laura Cantone, o segundo momento da “Conversa com o escritor” na tarde deste sábado (17) foi com o espanhol Miguel Tanco, que começou contando como se descobriu ilustrador. “Eu trabalhava como gráfico e já fazia desenhos para a infância, mas não sabia que aquilo eram ilustrações. Fiquei muito feliz quando soube que poderia viver disso. Seria meu trabalho ideal”, relembrou o ilustrador, ressaltando que entrou tarde para a literatura, aos 26 anos.

Miguel Tanco explicou ainda que o trabalho do ilustrador é muito introspectivo. “Tem-se que buscar internamente nossa criança interior”. Questionado como busca inspiração para seus personagens, o autor explica que além de sua própria infância, vai buscar inspiração em outras infâncias, especialmente depois do nascimento de seus dois filhos.

O espanhol  falou ainda que sua rotina de trabalho, além de ilustrar é dar aulas e que embora haja uma rotina, ela não significa uma obrigação e que cada trabalho é diferente do anterior. Miguel Tanco ainda afirmou que acha mais fácil ilustrar livros de outros escritores do que os escritos por ele. “Quando ilustro um livro que não escrevi tenho mais liberdade para escolher um caminho diferente do escritor”.

Para os ilustradores que estão começando agora ele diz que não é preciso pressa para publicar. “Os jovens devem entender que o trabalho é para a vida toda, portanto a pressa não é necessária”, ressalta.

 

 

 

 

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