Filig 2015 | Festival Internacional de Literatura Infantil de Garanhuns

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Uma conversa sobre Tom com o ilustrador André Neves

andre_nevesO palestrante convidado do Filig, na noite de sábado (17), foi o ilustrador André Neves, pernambucano, que há alguns escolheu o Rio Grande do Sul como sua casa.

Considerado um dos mais renomados ilustradores de literatura infantil e juvenil da atualidade, André Neves há quase dez anos atua como ilustrador e já lançou mais de 50 obras. Embora sua obra mais recente seja o livro Malvina de 2013, muitas atenções se voltam para o livro “Tom”, um trabalho com tantas imagens, que gerou uma exposição trazida de uma forma compilada pelo Filig para Garanhuns.

Em uma palestra-conversa com a também ilustradora Anabella López, André Neves falou, dentre outras coisas, sobre o que o motivou a criar “Tom”, um livro sobre uma criança autista. “O que motivou a fazer o livro não foi exatamente o autismo. Mas uma imagem feita para uma matéria da revista Crescer sobre a liberdade na infância. A imagem é semelhante à capa do livro atual. Sabia que ela tinha algo mais a contar e ficou em mim até o momento que a memória relacionou com um fato do passado, uma experiência com um filho de um amigo, que era autista”, contou o escritor.

Sobre seu processo criativo, André Neves explica que é muito pessoal. “A história não nasce já em forma de livro. Depois que eu trabalho a história dentro de mim é que percebo que pode virar um livro”, explicou, ressaltando ainda que ama ilustrar porque consegue se distanciar do cotidiano, da rotina, e ficar mais perto do mundo da fantasia.

Questionado sobre se prioriza o trabalho de escrever ou de ilustrar, André Neves não hesita em dizer que acaba priorizando a imagem. “Primeiro faço a construção do texto e depois a construção da imagem. E quando vou fazer essa união, se for necessário algum corte, sempre será no texto”.

Quanto as suas “preocupações” quando está criando uma ilustração, Neves afirma que sua busca principal são as formas de contar, seguir um enredo visual coerente. As técnicas escolhidas são meramente uma escolha estilística. ”Primeiro surge uma ideia por causa da insatisfação criadora do ilustrador, depois umas anotações, alguns desenhos para chegar a um projeto”, destacou o ilustrador.

Quando ilustra textos que não são seus, André Neves afirma que deixa todos os espaços para o leitor respirar dentro do livro. “Não tenho como mudar as palavras de um escritor, posso apenas com o projeto gráfico adequado tentar dialogar melhor com minha ideia visual, porque antes de ser um ilustrador ou escritor, sou um promotor de leitura”, ressaltou Neves.

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